BARAKEI - Mishima, por Eikoh Hosoe
20 outubro 25, Coimbra.
A galeria de arte Ochre Space, em Lisboa, organizou em janeiro, no centenário do nascimento de Yukio Mishima, a primeira exposição em Portugal do fotógrafo japonês Eikoh Hosoe. Seis mil frustrantes quilómetros impediram-me então de estar presente e contemplar um dos marcos da fotografia da 2ª metade do séc. XX.
Agora, a edição de 2025 do Fólio, em Óbidos, ofereceu-me este pequeno prazer que junta duas estrelas do meu firmamento.
Diário de uma guesthouse
27 setembro 25, Coimbra.
Dez meses de confinamento voluntário numa pequena ilha no Equador. Horas e horas de profundo isolamento na modorra do meu quarto, ora desmesurado, ora claustrofóbico, numa guest house do Campo de Milhos, São Tomé. Lá fora, o calor húmido equatorial contrastava com a atmosfera condicionada e, graças à fibra ótica, cosmopolita do quarto, uma janela aberta para a Nova Iorque de Robert Frank e Helen Levitt ou para os bairros de Tóquio de Daidô Moryama. Uma vez ou outra regressava ao alpendre para ver o céu desabar em chuva torrencial…
"Peixes-voadores e ossobôs"
22 junho 25, STP.
São 76 fotografias a preto e branco, em jeito de crónica visual que pretende aflorar algumas das muitas camadas deste país que escolhi para viver durante quase um ano. A exposição foi inaugurada no passado dia 20 e foi pensada com o objetivo solidário de venda das fotografias expostas, revertendo os donativos para a "Casa dos Pequeninos" de São Tomé.... E foi um sucesso!
Muito obrigado e um bem-haja a todos!
Surfing São Tomé
15 junho 25, STP.
São Tomé e Príncipe não é um destino de surf evidente. Ainda assim, com as devidas condições de vento e de mar, encontram-se alguns spots bem interessantes, como a direita junto à praia da Rádio Voz da América.
Estas imagens focam-se sobretudo na comunidade local de surfistas, alguns dos quais com nível de campeonato e com muitas crianças com vontade de aprender, ainda que os meios escasseiem.
Birdwatching São Tomé
7 junho 25, STP.
"Há algum país no mundo, outro par de ilhas, que possua extremos como São Tomé e Príncipe? (...) Onde mais podemos encontrar um beija-flor gigante, um tecelão gigante e um íbis anão? Onde mais, numa supergície tão pequena como São Tomé. algém pode encontrar savanas quentes e altas montanhas cobertas por florestas húmidas?"
Nigel Colar, BirdLife International, in As Aves de São Tomé e Principe, um Guia Fotográfico.
Peixes voadores
9 março 25, STP.
O mar do qual emerge a ilha de São Tomé é o prolongamento cálido e natural dos campos de futebol improvisados, dos terreiros e de qualquer ruína onde se juntam hordas de crianças quando não estão na escola. Para elas, o mar é sustento e trabalho quando acompanham o pai, é aprendizagem quando pescam desde que nascem, é brincadeira, é ginásio, é um torneio olímpico…
Praia das Conchas, STP.
Manhã nos "fardos"
12 janeiro 25, STP.
O mercado dos “fardos” de roupa, calçado e acessórios usados é o grande centro comercial das comunidades santomenses. Na cidade, todos os domingos pela manhã, junto a um dos antigos e escalavrados mercados municipais, no chão de asfalto que já foi e nos passeios que já não são, espalha-se tudo o que a Europa já não usa e vende-se por tuta e meia a quem pouco mais tem do que tuta e meia, tudo num turbilhão de cores vivas, gritaria, risos, movimento, calor, cheiros e fedores… até que fica de noite a meio da manhã e entra o vento a varrer o terreiro, antes de uma grande e prolongada chuvada lavar tudo até próximo dilúvio e remeter a baixa de São Tomé ao seu ritmo mais calmo de domingo de manhã.
Passantes
10 dezembro 24, STP.
Praia Emília, São Tomé, final da tarde. O sol baixo no curto ocaso equatorial realça os contrastes em quem vai passando entre a lente e o Golfo da Guiné. Estes passantes, caminhando indolentemente, sentados no assento de trás de uma mototáxi cintilante, espremendo-se no interior corroído de um “iace” medieval ou acelerando despreocupadamente em duas ou quatro rodas todas desalinhadas, dirigem-se ao final de mais um dia colorido e barulhento.
Danço Congo, Vera Cruz de Pantufo
25 novembro 24, STP.
Depois de váris semanas a procurar aqui e ali a próxima atuação de um grupo de danço congo, eis senão que tropeço literalmente no Vera Cruz de Pantufo a atuar em casa para turistas de um cruzeiro fundeado ao largo.
O danço congo é, segundo as investigaçõesmais recentes, a única manifestação cultural sãotomense que não foi trazida do exterior, tendo sido criada pelos próprios ilhéus e não se sabe bem quando. O que se sabe é que este grupo, residente em Pantufo, foi formado em 1950 e dois dos seus membros fundadores ainda estão no ativo.
Apontamentos da rua, vol. I
17 novembro 24, STP.
A rua e os desafios antagónicos de quem quer registar momentos! Nem demasiado longe, nem demasiado perto do sujeito que, normalmente, não quer ver o seu momento registado. Há sempre a alternativa de compor o fotograma com várias camadas e deixar a pintura ganhar forma. As ruas de São Tomé são um vibrante e inebriante cavalete no qual as telas se vão enchendo a um ritmo alucinante!
Apontamentos da floresta, vol. I
14 outubro 24, STP.
A subida em altitude a partir da cidade-capital em direção ao interior da ilha, entrando no PN de Obô ou na sua zona tampão, leva-nos às densas florestas que cobrem este território e ao mundo das já centenárias e mais remotas roças de cacau.
Absorver todo o conhecdimento sobre este sistema agroflorestal não é fácil, mas vão-se guardando alguns apontamentos, obtidos ora no silêncio húmido da mata sob a chuva equatorial, ora por entre o canto de pássaros desconhecidos e de cores impossíveis.
Lavadeiras
5 outubro 24, STP.
HOMENAGEM A TODAS AS LAVADEIRAS DO MUNDO, INCLUINDO AS MINHAS AVÓS!Sábado é dia de lavar roupa. Cada rio, cada ribeiro, cada poço e cada charco é uma palete de cores, de movimento, de conversas e de risos. Da ponte da EN2 até à sua foz. o rio Abade veste-se com as cores do povo na sua indumentária de sábado.
Pesca grossa
17 setembro 24, STP.
Praia de pescadores junto ao Club Santana numa tranquila tarde de sábado.Primeiro surge do lado do ilhéu Santana uma canoa e logo manobra à vela pela enseada até à praia, escondido e mantido fresco por ramos de palmeira, um belo exemplar de tubarão com dois metros e tal, pescado à linha, a pulso.Logo logo, outra canoa à vela na mesma trajetória de regresso de algumas horas de mar, trazendo no seu ventre um enorme marlim-branco, também ele capturado à linha e a pulso, dando luta durante 40 minutos até se render.
São Tomé e Príncipe... o início!
1 setembro 24, STP.
Aterrar em São Tomé e ter como guarda de honra um magnífico disco laranja quase a tocar o horizonte só pode ser um bom presságio para o futuro!Uma vez de pés no chão e respirando o primeiro ar quente e húmido do equador, lembro-me de que, logo ali a este, África Continental adentro, nas profundezas do Congo, esconde-se o Sr. Kurtz, de "O Coração das Trevas" (Joseph Conrad) e, a oeste, a 8.000 km, nos confins da Amazónia, vagueia o Sr. Fitzcarraldo/Klaus Kinsky (Werner Herzog)... não me posso queixar da companhia! Mas, sendo esta página um fotoblog, espera-se que, para além de ser sobre fotografia, haja fotografias!


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